Coisas de Minas…

Produtos ligados à cultura alimentícia mineira me interessam muito. Sejam eles utensílios ou os próprios alimentos. Inclusive, isso faz parte do objeto de pesquisa da minha bolsa de iniciação científica na UEMG. Meu projeto visa à valorização de alimentos e produtos relacionados aos alimentos da cultura mineira. Sou muito bem orientado pela Lia Krucken, doutora pelo Politécnico de Milão e especialista em Design e Território.

Abaixo, posto uma matéria do Estado de Minas.

Moldadas na argila, na pedra-sabão ou mesmo produzidas em pequenas fundições, as panelas típicas das antigas fazendas do interior de Minas Gerais desbancam suas principais concorrentes, feitas em alumínio. As lojas especializadas nunca faturaram tanto com o espaço conquistado por esses utensílios antes confinados às cozinhas rurais. As panelas de barro queimado, de pedra e ferro acabaram transformando em aliados os festivais de gastronomia e os consumidores em busca de um estilo mais natural de viver e de saborear os alimentos.

Não é por outro motivo que o artesanato de Minas manteve a tradição centenária de fabricação dessas panelas, encontradas do comércio estabelecido à beira de estradas que cortam o estado. Elas estão entre os principais produtos vendidos em todo o país e até mesmo exportados por mais de 400 artesãos envolvidos diretamente no trabalho com a pedra-sabão em Ouro Preto e Mariana, a 115 quilômetros de Belo Horizonte, segundo estudo feito ano passado pela Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) e Instituto Centro Cape, braço do Mãos de Minas, maior central de cooperativas de artesãos mineiros.

Em tamanhos e acabamentos diversos, as panelas de Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, Santa Rita de Ouro Preto e Congonhas, na Região Central do estado, Divinópolis e Cláudio, no Centro-Oeste de Minas, abastecem toda semana comerciantes em BH. O Mercado Central da capital é um dos pontos-de-venda mais ativos para o produtor chegar ao varejo e se aproveitar dos gastos dos turistas brasileiros e estrangeiros. Há 23 anos no ramo, Ewerton Augusto Miranda nem poderia abrir mão das panelas de barro, pedra e ferro. Elas representam 70% dos negócios nas três lojas que ele mantém no mercado, um dos centros de compras mais antigos da capital mineira. Elas custam de R$ 12 a R$ 600.

Geraldo Antônio de Andrade, dono da Andrade Artesanato, aberta há 25 anos no Mercado Central, conhece em detalhes o processo de fabricação e vai logo recomendando como escolher e usar essas relíquias da cozinha tradicional mineira. A preços de R$ 20 a R$ 110, conforme o tamanho, as panelas de pedra-sabão na cor cinza têm maior durabilidade. As menores e baixas são as mais indicadas para o preparo de verduras e legumes, e aquelas bem miúdas podem ser ideais para servir pimenta e temperos especiais. Para cozinhar frango e carnes, o consumidor deve dar preferência às vasilhas fundas e mais largas.

Apesar da desvantagem do peso em relação às panelas de alumínio, por exemplo, as de pedra-sabão e ferro são as mais vendidas na loja de Lúcia Maria Martins Gonçalves, que aprendeu a cozinhar nessas vasilhas com a mãe e a avó na fazenda da família em Curvelo, Região Central de Minas. Na empresa, Margofer, elas somam 40% do total dos negócios com utensílios domésticos em geral. “A tendência é de aumento desse comércio. O consumidor se preocupa com a saúde e quer uma comida mais saborosa”, diz Lúcia. As panelas de pedra e ferro não soltam resíduo tóxico e, mantidas a baixas temperaturas, permitem um cozimento mais uniforme, preservando a textura de legumes e verduras.

Matéria-prima tem que ser de qualidade

Matéria-prima de qualidade é só o primeiro passo num processo de produção lento e que exige grande esforço. O artesão Sérgio Luiz Ramos produz panelas de barro queimado há 22 anos em São João del-Rei, a 185 quilômetros da capital mineira, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pela primeira geração da família. “A procura dobrou em relação a um ano e meio atrás. As pessoas querem fugir do produto industrializado e compram também por prazer”, afirma Sérgio Ramos. Para preservar a qualidade e garantir a durabilidade das panelas de cerâmica, é preciso untar a peça com óleo ou banha antes de usá-la e sempre mantê-la em fogo brando nos primeiros minutos de cozimento.

Na localidade de Mata dos Palmitos, perto de Santa Rita de Ouro Preto, Dionízia José Gomes aprendeu a arte de produzir panelas de pedra-sabão há mais de 30 anos com o pai, Benjamin. O trabalho começa com a procura da pedra cinza, considerada a melhor pela alta resistência, mas a dificuldade está na escassez do material, conta a artesã. “Não temos como repassar os reajustes. Ficou muito difícil encontrar a pedra e, quando a gente a encontra, custa caro”, diz. A tonelada da pedra, que era vendida a R$ 120, ano passado, alcançou até R$ 200 em 2007. A preparação para uso da vasilha de pedra-sabão requer um pouco mais de tempo do que a peça em ferro. O consumidor deve untar a panela com óleo e deixá-la secar no forno por 12 minutos na mesma temperatura usada para assar carnes. Depois de desligar o forno, é bom deixar que a peça esfrie lá dentro. Na pia da cozinha, um segundo banho de óleo deve ser dado, obedecendo à regra de deixá-la secar, de novo, no forno do fogão. Os choques térmicos, da geladeira para o fogão ou a pia, são um convite às rachaduras, a qualquer tempo.

Fonte: http://www.maosdeminas.org.br/banco_noticias/ver.asp?id=74

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Sobre ravibellardi

English EcoDesign Master student in PoliTo - Politecnico di Torino - Turin, Italy. In a double-degree agreement between PoliTo and the University of Minas Gerais, Brazil. In Brazil, took part in projects like "Design e integração competitiva do território - Estrada Real". This project is a government initiative in order to use the Design approach in order to bring value regarding specific aspects of the State of Minas Gerais in Brazil. The territory context is the Estrada Real. Also worked in the University of Minas Gerais' Research Center of Theory, Culture and Design in projects related to the use of Design in cultural aspects of the State of Minas Gerais aiming to enhance products related to the Food Sector. Portugês Graduando no curso Master em EcoDesign pelo Politécnico de Turim, Itália (Polito). Bolsista dentro do acordo de dupla titulação entre a Universidade do Estado de Minas Gerais e o Politecnico di Torino com apoio da FAPEMIG. Atuou como bolsista do Projeto "Design e integração competitiva do território - Estrada Real", projeto do Centro Minas Design em parceria com o Polito. Ravi Bellardi também é atuante no desenvolvimento do projeto Estudo de Aspectos Culturais de Minas Gerais Visando à Valorização de Produtos Relacionados ao Setor Alimentício Através do Design com financiamento da FAPEMIG e apoio da UEMG. Ravi Bellardi desenvolve trabalhos tanto de caráter acadêmico, quanto de caráter de extensão com a orientação da Profa. Dra. Lia Krucken juntamente ao Centro de Teoria, Pesquisa & Cultura em Design da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais.
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